Pippin (2018)

‘Pippin’ fez uma revolução na Broadway na época de sua estreia, em 1972. Com uma estrutura ousada e aposta na metalinguagem, o musical arrebatou cinco Tony Awards ao contar a fábula do príncipe Pippin, herdeiro do trono do Rei Carlos Magno que segue uma atribulada jornada existencial em busca do sentido da vida. Contada por […]

‘Pippin’ fez uma revolução na Broadway na época de sua estreia, em 1972. Com uma estrutura ousada e aposta na metalinguagem, o musical arrebatou cinco Tony Awards ao contar a fábula do príncipe Pippin, herdeiro do trono do Rei Carlos Magno que segue uma atribulada jornada existencial em busca do sentido da vida. Contada por uma trupe teatral, a saga é conduzida por uma Mestra de Cerimônias e pela música de Stephen Schwartz, autor de ‘Godspell’ (1971), ‘Wicked’ (2003) e vencedor de prêmios como o Oscar, o Grammy e o Globo de Ouro.

Após 44 anos da única montagem que teve no Brasil (1974), o musical voltou aos palcos brasileiros pelas mãos de Charles Möeller & Claudio Botelho, com um elenco de 19 atores liderado por Totia Meireles, João Felipe Saldanha, Nicette Bruno, Jonas Bloch e Adriana Garambone, além de oito músicos.

‘Este é um musical com muito mais substância e camadas do que se imagina. ‘Pippin’ é uma comédia cínica, que traz um protagonista absolutamente moderno, cheio de dúvidas e questionamentos, com um vazio existencial que jamais será preenchido. É um dos motivos pelo qual é chamado de ‘Hamlet’ dos musicais. Ele rejeita antigos clichês e quebra com algumas tradições do gênero. Como se não bastasse, ele retoma essa ideia do ‘teatro dentro do teatro’ e traz um grupo teatral e a figura da Mestra de Cerimônias para contar a história’, afirmou Charles Möeller, que adquiriu os direitos do espetáculo com Claudio Botelho após o revival da peça na Broadway em 2013.

Foram necessários quase cinco anos para levantar toda a produção, que envolve um número grande de atores e músicos em cena. Com total liberdade de criação, Möeller & Botelho vão manter em cena o clima de magia que envolve a obra original, a começar pelo número inicial, o clássico ‘Magic To Do’. ‘O musical fala muito sobre a decisão entre enfrentar um mundo real ou permanecer em um mundo de aparências ou de magia, como o que é mostrado em cima de um palco. É um tema muito atual, em um mundo de redes sociais e realidades falseadas’, analisa Möeller.

Além de toda a sua arrojada dramaturgia, ‘Pippin’ tem ainda uma das mais complexas partituras coreográficas do teatro musical contemporâneo. Dirigido e coreografado originalmente pelo ícone Bob Fosse (1927-1987), o espetáculo conta agora com o coreógrafo Alonso Barros, especialista no estilo de Fosse, responsável por criar toda uma cartilha própria que virou referência em uma série de musicais que foram produzidos nas últimas décadas.

Uma trajetória extraordinária

Vencedor de cinco prêmios Tony e um clássico do teatro musical norte-americano, ‘Pippin’ estreou na Broadway em 23 de outubro de 1972, com músicas e letras de Stephen Schwartz – o mesmo de Godspell (1971) e do megassucesso ‘Wicked’ (2003); texto de Roger O. Hirson; e coreografias e direção do grande Bob Fosse. O espetáculo estreou no Imperial Theatre e fez tanto sucesso, que chegou a ter canções como “Magic To Do”, “Morning Glow” e “Corner of Sky” interpretadas por astros da música pop, como Michael Jackson e The Supremes.

“Pippin” teve indicações em todas as categorias do Tony Awards de 1973, vencendo em cinco delas: Melhor Atuação de um Protagonista Masculino em um Musical (pela performance do ator Ben Verren), Melhor Direção de um Musical e Melhor Coreografia (ambos de Bob Fosse), Melhor Cenografia (pelo trabalho de Tony Walton) e Melhor Iluminação (Jules Fisher).

O espetáculo ficou em cartaz por cinco anos, chegando a quase 2.000 apresentações. Um dos aspectos revolucionários do show foi sua inovação nas formas de comunicação. A produção investiu em elaborados comerciais para televisão, dirigidos também por Bob Fosse. A coreografia era tão marcante que o estilo foi usado na primeira abertura do Fantástico, da TV Globo.

Revival de 2013

Em março de 2013, ‘Pippin’ ganhou seu primeiro revival nos palcos da Broadway, com direção de Diane Paulus. O elenco trazia Matthew James Thomas como Pippin, Patina Miller como a ‘Leading Player’, Andrea Martin como Berthe, Rachel Bay Jones como Catherine, Erik Altemus como Lewis, Terrence Mann como o Rei Charles e Charlotte d’Amboise como Fastrada.

O espetáculo foi indicado em 10 categorias do 67º Tony Awards, vencendo 4: Best Revival of a Musical; Best Actress in a Musical (Patina Miller); Best Featured Actress in a Musical (Andrea Martin) e Best Direction of a Musical (Diane Paulus).

O revival da Broadway teve seu término em 4 de janeiro de 2015, mas o musical saiu em turnê pelos EUA (até 2016) com novos nomes no elenco, incluindo Sasha Allen como a Mestre de Cerimônias. Uma nova turnê teve início em 2017, em Manchester, com elenco reduzido.

A Primeira Montagem Brasileira (1974)

Em 20 de junho de 1974 estreava no Teatro Adolpho Bloch, no Rio, a primeira versão brasileira de “Pippin”, com direção de Flávio Rangel, tradução de Flávio Rangel e Paulo César Pinheiro; cenografia de Gianni Ratto; figurino de Kalma Murtinho e Patrícia Zipprodt; e coreografia de Gene Foot.

O espetáculo tinha como protagonistas Marília Pêra (mestre de cerimônias), Marco Nanini (Pippin), Carlos Kroeber (Carlos Magno), Tetê Medina (Fastrada), Maria Sampaio (Berta) e Ariclê Perez (Catarina). No entanto, Marília descobriu-se grávida logo no início da temporada e teve que deixar o espetáculo, sendo substituída por Suely Franco.

Curiosidade: Marília Pêra foi a primeira mulher a interpretar o papel de mestre de cerimônias do musical.

Temporada RJ (2018)

O 43º espetáculo da dupla Möeller & Botelho estreou em 3 de agosto de 2018, no Teatro Clara Nunes (RJ). No elenco, nomes como Totia Meireles, Nicette Bruno, João Felipe Saldanha, Jonas Bloch, Adriana Garambone, Cristiana Pompeo, Guilherme Logullo e Luiz Felipe Mello, entre outros.

A saga do príncipe Pippin havia sido apresentada nos palcos brasileiros em 1974, em uma montagem que marcou época, com direção de Flávio Ragel e protagonizada por Marília Pêra (Mestra de Cerimônias) e Marco Nanini (Pippin). Coincidentemente, foi o primeiro musical visto por Totia Meireles, na época em 14 anos, quando começou sua história de amor com os palcos. “Já fiz musicais em que só cantava, outros em que era bailarina e muitas peças sem música. Pippin é o meu primeiro trabalho em que preciso atuar, cantar e dançar muito”, disse a atriz.

Já Nicette Bruno voltou aos palcos para dar vida a Berthe, a libertária e hedonista avó de Pippin, que aconselha o personagem a viver intensamente e desfrutar dos prazeres carnais. A atriz foi dirigida por Möeller & Botelho no sucesso ‘O Que Teria Acontecido a Baby Jane?’ (2016).

Em 4 de outubro, o compositor e letrista norte-americano Stephen Schwartz, responsável pelas letras originais e músicas do espetáculo, esteve no Rio de Janeiro especialmente para assistir à montagem de “Pippin” pela dupla Möeller & Botelho. Após assistir ao musical, Schwartz encontrou os diretores e o elenco e fez elogios a todos.

Temporada SP (2019)

Em 19 de julho de 2019, após ter sido encenado nos palcos cariocas em 2018,”Pippin” estreou sua temporada paulista, no Teatro Faap, com várias modificações no elenco. Mantiveram-se Totia Meireles, João Felipe Saldanha e Bel Lima (que passou a interpretar a personagem Catharina); e entraram Mira Haar, Thiago Machado, Mariana Gallindo, Fernando Patau, entre outros.

A equipe e o elenco contaram com a presença do criador das canções do musical, Stephen Schwartz, que foi especialmente a São Paulo para acompanhar os últimos ensaios. Schwartz, que já havia assistido “Pippin” na temporada carioca, fez questão de prestigiar a estreia paulista do espetáculo.

Ficha Técnica

Direção e Coreografia original
Bob Fosse

Música e Letra
Stephen Schwartz

Libreto
Roger O. Hirson

Direção
Charles Möeller

Versão Brasileira
Claudio Botelho

Coreografia
Alonso Barros

Direção Musical
Jules Vandystadt

Cenário
Rogério Falcão

Figurino
Luciana Buarque

Design de Luz
Rogério Wiltgen

Design de Som
Marcelo Claret

Visagismo
Beto Carramanhos

Produção de Elenco
Marcela Altberg

Coordenação Artística
Tina Salles

Produção Executiva
Carla Reis

Um espetáculo
Charles Möeller & Claudio Botelho

Realização: M&B e E_MERGE

Elenco

Totia Meireles (Mestre de Cerimônias)
Felipe de Carolis / João Felipe Saldanha (Pippin)
Nicette Bruno (Berthe)
Jonas Bloch (Carlos Magno)
Adriana Garambone (Fastrada)
Cristiana Pompeo (Catharina)
Guilherme Logullo (Lewis)
Luiz Felipe Mello (Theo)

Trupe:
Analu Pimenta
Bel Lima
João Felipe Saldanha
Rodrigo Cirne
Sérgio Dalcin
Bruninha Rocha
Daniel Lack
Flavio Rocha
Jéssica Amendola
Paulo Victor
Victoria Aguillera

Elenco Temporada SP

Totia Meireles (Mestre de Cerimônias)
João Felipe Saldanha (Pippin)
Mira Haar (Berhe)
Fernando Patau (Carlos Magno)
Mariana Gallindo (Fastrada)
Thiago Machado (Lewis)
Bel Lima (Catharina)
Pedro Burgarelli (Theo)
Pedro Sousa (Theo)

Trupe:
Vanessa Costa
Sandro Conte
Renato Bellini
Giu Mallen
Gustavo Della
Andreza Medeiros

Prêmios
• Prêmio Cesgranrio de Teatro de Melhor Direção Musical para Jules Vandystadt
• Prêmio Brasil Musical de Melhor Atriz Coadjuvante para Nicette Bruno
• Prêmio Brasil Musical de Melhor Coreografia para Alonso Barros
• Prêmio Brasil Musical de Melhor Musical Adaptado

Estreia
03 de agosto de 2018 – Teatro Clara Nunes (RJ).

Temporadas
• 03 de agosto a 21 de outubro de 2018 – Teatro Clara Nunes (RJ).
• 19 de julho a 18 de agosto de 2019 – Teatro Faap (SP).

Galeria

Fotos: Dan Coelho

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Reprodução autorizada mediante citação do Site Möeller & Botelho