Rocky Horror Show (2016)

Rocky Horror Show é um fenômeno teatral raro. Após estrear em uma pequena sala do circuito underground londrino em 1973, virou filme, se transformou em ícone pop e nunca mais saiu de cartaz dos palcos e das telas de cinema. Uma verdadeira legião de fãs ajuda a manter a aura do musical, em exibições especiais, encontros e happenings por todo o mundo. Quatro décadas após o seu lançamento, Charles Möeller & Claudio Botelho apresentaram a sua versão brasileira do espetáculo, que estreou em 11 de novembro de 2016, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo.

Inspirada nos filmes b de ficção científica e horror dos anos 40 a 70, a comédia musical – com texto e músicas de Richard O’Brien – conta com uma trilha roqueira e um texto que mistura referências da época com um leve toque sexual. Ao procurar ajuda em uma estrada deserta, um jovem casal de noivos, Brad Majors e Janet Weiss, chega a um castelo abandonado, onde são recebidos pelo cientista maluco Frank N Furter (Marcelo Medici) e uma série de criaturas bizarras.
 
 
 "O espetáculo é quase um precursor da ideia da novela 'Dancing Days' (1978): 'Caia na gandaia, entre nessa festa', comenta Charles Möeller. "É como diz uma das músicas de 'Rocky Horror', que para mim é mote da peça, 'não sonhe, seja'."

"Frank é pura sexualidade, é movido a isso", diz Marcelo Medici. "Tem uma coisa anárquica nesse personagem: ele é metade homem, metade mulher – quando as pessoas querem que os outros sejam uma coisa ou outra."

O exagero também está no visual: brilhos e paetês que remetem ao glam rock e ao glitter rock. O estilo do cientista maluco, por sinal, lembra muito o do músico David Bowie (1947-2016) e seu personagem Ziggy Stardust, também um alienígena que borra as fronteiras entre gêneros.
 

"O homem que veio do espaço não é condenado pela sociedade. Ele pode fazer sexo, transgredir na sexualidade", afirma Möeller, que assinou os figurinos da montagem. "Coloco espartilho sem peito, a sunga com volume marcado. É uma androginia montada."

Frank não tem pudores e não hesita em burilar Brad e Janet. O casal careta que adentra no castelo sai transformado, "glitterizado", segundo o diretor. "É a noção de que a liberdade de gênero seria possível se todos se travestissem das mesmas armas."
 
As referências aos filmes de baixo orçamento também estão nas falas. Se no original falava-se num tom forçado, os chamados "schlock dialogs", aqui os atores fazem os diálogos soar como se viessem de um filme dublado. "É um grande deboche, mas ao mesmo tempo tem uma sofisticação muito grande", complementa o encenador.
 

As letras fazem referências de época e aos filmes B, e a dupla buscou adaptar algumas ao público brasileiro. Fay Wray, a mocinha de "King Kong" (1933), aparece em várias. "Troquei algumas por 'loira' e outras variações. Mesmo porque o nome dela não é o mais fácil de se pronunciar em português", diz Botelho, responsável pela tradução.

Amante do rockabilly, O'Brian criou para a trilha uma mistura de rock dos anos 1950 e baladas. "Acho que é a coisa mais difícil em que já trabalhei", continua Botelho. "As músicas parecem simples, mas nada é cartesiano."
 

Completam o elenco Bruna Guerin (Janet Weiss), Felipe de Carolis (Brad Majors), Gottsha (Magenta), Thiago Machado (Riff Raff), Jana Amorim (Columbia), Nicola Lama (Eddie/Dr. Everett Scott), Felipe Mafra (Rocky), Marcel Octavio (Narrador), Vanessa Costa (Fantasma) e Thiago Garça (Fantasma).
 
Cosplayers 
 
Já no primeiro domingo do espetáculo apareceram pessoas vestidas a caráter, no estilo RHS! O elenco as convidou para subir ao palco e a dançar o número final da apresentação. A partir de então em praticamente todas as sessões houve a presença de cosplayers, todos convidados para subir ao palco ao final. 

Elenco
 
MARCELO MEDICI como Dr. Frank N Furter
BRUNA GUERIN
FELIPE DE CAROLIS
GOTTSHA
THIAGO MACHADO
JANA AMORIM
NICOLA LAMA
MARCEL OCTAVIO
FELIPE MAFRA
VANESSA COSTA
THIAGO GARÇA

Ficha Técnica:

Autor: RICHARD O‘BRIEN
Direção: CHARLES MÖELLER
Versão Brasileira: CLAUDIO BOTELHO
Direção Musical: JORGE DE GODOY
Supervisão Musical: CLAUDIO BOTELHO
Figurinos: CHARLES MÖELLER
Cenografia: ROGÉRIO FALCÃO
Coreografia: ALONSO BARROS
Iluminação: ROGÉRIO WILTGEN
Design de som: ADEMIR MORAES JR.
Visagismo: BETO CARRAMANHOS
Coordenação Artística: TINA SALLES
Direção de Produção: BEATRIZ BRAGA
Produção Executiva: EDSON LOPES
Realização: MÖELLER & BOTELHO
 
 
Prêmios e Indicações
 
Prêmio Aplauso Brasil de Teatro*
Indicações:
Melhor Espetáculo Musical
Melhor Ator: Marcelo Medici
Melhor Ator Coadjuvante: Felipe de Carolis
Melhor Atriz Coadjuvante: Bruna Guerin
 
Prêmio QUEM*
Indicações:
Melhor Ator de Teatro: Marcelo Medici

Melhores do ano do Guia da Folha*
Indicações:
Melhor Musical
* vencedores serão anunciados no primeiro semestre de 2017.

Melhores do Ano no Teatro Musical segundo o jornalista Paulo Neto da Revista Drops Mag
Melhor Ator: Marcelo Medici
Melhor Ator Coadjuvante: Felipe de Carolis
Melhor Atriz Coadjuvante: Bruna Guerin
Melhores Versões: Claudio Botelho.
O espetáculo foi escolhido como um dos melhores do ano por Bruno Cavalcanti, da Conexão Sampa, do site Anna Ramalho, e também pelo crítico Gilberto Bartholo.


Estreia: 11 de novembro de 2016 - Teatro Porto Seguro (SP).

Temporadas:
* 11 de novembro a 11 de dezembro de 2016 - Teatro Porto Seguro.
* 10 de fevereiro a 26 de março de 2017 - Teatro Porto Seguro.


 

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