Globo Teatro: Möeller & Botelho celebram 25 anos de parceria artística

Dupla conta segredos sobre a trajetória que conta com 38 espetáculos

Um é contido e sarcástico. O outro, expansivo e solar. As personalidades opostas só comprovam que Charles Möeller e Claudio Botelho nasceram para se complementar e trilhar um caminho direto para o sucesso. Eles comemoram 25 anos de uma parceria profissional que rendeu belíssimos frutos, como “Cole Porter – Ele Nunca Disse que me Amava” e "O Despertar da Primavera”. São quase 40 trabalhos assinados pelos dois e inúmeras parcerias de sucesso: eles já trabalharam com atrizes e atores icônicos e lançou outros nomes para o estrelato. Confira um bate-papo com a dupla que se tornou referência no gênero do teatro musical no Brasil.

Segredo

Charles Möeller: O segredo de uma parceria profissional é saber brigar. A briga é a coisa mais salutar que pode existir em uma relação porque ela pode ser definitiva. Quando você entende que existe algo maior e acredita que aquilo vale a pena realmente, a briga vem com o objetivo de tornar aquilo melhor. O atrito é o que nos move e provoca a aceitação da diferença. Somos dois caras bons de briga! Quem está do nosso lado não acredita, acha que nunca mais vamos nos olhar; mas cinco minutos depois agimos como se nada tivesse acontecido (risos).

Claudio Botelho: Antigamente a gente discutia mesmo quase até brigar (risos). Com certeza o segredo é a briga. Certezas de um lado e incertezas do outro acabam resultando em muita exigência: estamos sempre tendo que provar que estamos certos. O que me deixa mais feliz no mundo é que haja reconhecimento do nosso trabalho.

Afinidade artística

Charles Möeller: A gente se conheceu logo que mudei para o Rio de Janeiro, em 1989. Estava fazendo uma novela chamada “Mico Preto” e era filho do Miguel Falabella, que na época dirigia a peça “Um e Outro”, da qual o Claudio fazia parte do elenco. Assisti a um ensaio aberto e logo nos identificamos ao falar sobre musical. Ele já era experiente no assunto e tinha esse objetivo para a carreira artística, enquanto eu era saído da companhia do Antunes Filho e tinha uma afinidade estética com o gênero. Houve um encontro no qual dei as imagens do musical e o Claudio me dava as músicas. Dupla é ser complementar; dupla de iguais dá errado. O legal é justamente ser diferente.

Claudio Botelho: O teatro musical é basicamente um ofício feito por duplas ou trios. Ninguém faz isso sozinho. Só conseguimos suceder porque temos um ao outro. Quando nos conhecemos, percebi que havia encontrado alguém com as mesmas referências. Era muito raro alguém da minha idade que tivesse visto os mesmos filmes que eu. Tínhamos muito amor por aquilo e de um dia para o outro aconteceu. Eu pensava: não é possível que seja impossível fazer isso aqui (risos)! Queria mostrar para as pessoas aquilo que eu tanto adorava, queria dividir o que eu achava tão incrível. Fico entusiasmado quando consigo convencer o público. Meu maior presente é sentar na plateia e ver o público enlouquecendo com o que estamos levando para ele.

Referência no gênero

Charles Möeller: Temos uma obsessão pelo gênero. Não estamos de passagem, nem seguindo uma demanda de mercado. O que me faz querer fazer musical hoje é a mesma motivação do início: que o espetáculo me transforme e me modifique. Batalhamos pela profissionalização do gênero e tivemos um cuidado técnico muito grande. Conseguimos assim virar uma marca.

Claudio Botelho: Mudamos o público do teatro musical, que era basicamente gente mais velha. A geração que nos assistiu com “Cole Porter”, que foi o que realmente nos alçou para o sucesso, não frequenta mais o teatro. Foi “O Despertar da Primavera” que levou uma plateia jovem para o teatro e disseminou o gênero para eles. Nosso foco então passou a ser o entretenimento para a família. Estamos focados no que o mercado pede, no que a concorrência oferece, mas sem deixar de lado a qualidade artística.

Trabalho

Charles Möeller: Tenho alguns xodós, mas cada peça que faço toma uma parte tão grande da minha vida que sempre acho que o último é o trabalho que mais me reflete no momento. Tenho muita vontade de trabalhar ainda com muita gente. Gosto de chamar pessoas inusitadas para fazer parcerias e elas acabam ficando muito próximas. Meu sonho seria trabalhar com a Fernanda Montenegro. Também admiro muito o trabalho do Domingos Montagner e da Fernanda Torres.

Claudio Botelho: É aquele clichê de perguntar qual filho você prefere (risos). O mais importante da nossa carreira, curiosamente é o que nos deu menos dinheiro: “7”. Era uma criação nossa e nos deu vários prêmios, mas as pessoas queriam ouvir músicas conhecidas. Ainda assim foi muito marcante na nossa trajetória. Também sonho em trabalhar com a Fernandona e sinto que isso vai acontecer a qualquer momento.

Futuro

Charles Möeller: No ano que vem teremos a adaptação de “Promises Promises” no musical “Se meu Apartamento Falasse”, com o Marcos Veras e a Maria Clara Gueiros. No segundo semestre ainda faremos “Pippin”, com um elenco enorme e totalmente desconhecido!

Claudio Botelho: Tenho certeza que “Pippin” inclusive vai levar o mesmo público de “O Despertar da Primavera” para o teatro. Além disso, também vamos lançar o filme dos “Saltimbancos Trapalhões” e acabamos de comprar os direitos do filme “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?” que acabou de ser adaptado para o teatro e vamos ser responsáveis pela primeira montagem no mundo!


Por: Globo Teatro - 25/12/2015. 


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