Nine, Um Musical Felliniano - Resenha Veja São Paulo

Dirceu Alves Jr faz a resenha do espetáculo, em cartaz no Teatro Porto Seguro

Resenha por Dirceu Alves Jr.

O ano de 2015 tem sido prodigioso para os musicais. Pelo menos cinco outros expoentes – desde as biografias de Chacrinha, Chaplin e Cássia Eller até chegar a Mudança de Hábito e ao satírico Urinal – fazem a alegria dos paulistanos, tão afeitos ao gênero. Sob o comando dos diretores Charles Möeller e Claudio Botelho, o espetáculo de Maury Yeston e Arthur Kopit vem juntar-se a eles e torna-se um ótimo pretexto para visitar o recém–inaugurado Teatro Porto Seguro, nos Campos Elíseos. Livremente inspirado no filme "8 e 1/2", de Federico Fellini, o original, lançado em 1982, chegou aos cinemas em 2009 e ganha uma luxuosa versão brasileira. O egocêntrico cineasta Guido Contini (interpretado por Nicola Lama) atravessa uma maré baixa, depois de três fracassos consecutivos, e enfrenta a maior crise criativa de sua carreira às vésperas da entrega de um roteiro já prometido. Para completar, as muitas mulheres que o rodeiam não dão a menor trégua. Lama tem charme, empatia e percorre um caminho do desequilíbrio psicológico que o faz se sair muito bem na pele de Contini. O destaque, no entanto, fica com o elenco feminino. Se Totia Meireles e Malu Rodrigues confirmam o talento e o carisma como, respectivamente, a produtora intransigente e a amante libidinosa, Carol Castro surpreende pela dramaticidade empregada à esposa um tanto exausta. Em meio ainda a Beatriz Segall, Leticia Birkheuer e Mayana Moura, um nome desponta e merece atenção: Trata-se da jovem Myra Ruiz, a prostituta Saraghina, que comanda o melhor número da montagem e encerra o primeiro ato. Estreou em 23/5/2015. Até 9/8/2015.

 
 

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