O Globo (Critica de Os Saltimbancos Trapalhoes O Musical): Didi, Dedé... SALTIMBROADWAY

Renato Aragão é a principal atração da superprodução de Charles Moeller e Claudio Botelho para o clássico infantojuvenil, transformado agora em um novo espetáculo

O Globo: 11/10/2014.

Por Bernardo Araújo. Foto: Fábio Seixo.

A história é mais do que conhecida: um burro, uma galinha, um cachorro e uma gata se unem contra seus donos opressores e aproveitam para cantar e dançar. Os quatro adoráveis bichinhos estão no Teatro Net Rio, aos sábados e domingos, em outra montagem, porque na Cidade das Artes, na superprodução “Os Saltimbancos Trapalhões”, da grife Charles Möeller & Claudio Botelho (dirigida pelo primeiro), eles passam longe: para se ter uma ideia, das quatro canções-assinatura dos animais, só a mais clássica, “História de uma gata”, está na peça.

Se “Os Saltimbancos” (musical do italiano Sergio Bardotti, com música do argentino Luis Enríquez Bacalov, baseado em “Os músicos de Bremen”, dos alemães Irmãos Grimm) tem uma história e o filme “Os Saltimbancos Trapalhões” (1981, dirigido por J.B. Tanko) é inspirado nela, o novo espetáculo tem um pouco de cada uma e muito mais.

O CULTUADO SARGENTO PINCEL

A produção é espetacular, várias atuações são memoráveis (Adriana Garambone como a hilária vilã Tigrana, e o eterno Sargento Pincel Roberto Guilherme, o Barão, são dois dos melhores), a música é de Chico Buarque, mas nada emociona como a presença de Renato Aragão. Aos 79 anos, o humorista cearense repete piadas e expressões conhecidas, algumas há meio século, brinca com o companheiro Dedé Santana (um broto aos 78) com o humor politicamente incorreto de sempre, perde a mocinha no final... Nada de novo, tudo engraçado e comovente.

A história comandada pelos dois Trapalhões é apenas parte do espetáculo, e isso pode ser um problema: a trama dos artistas de circo que enfrentam a tirania do Barão é eventualmente interrompida por espetaculares números musicais, mas a relação entre uns e outra é frágil. As canções de Chico (algumas de autoria dele, como “Piruetas” e “Meu caro barão”, além das versões das originais, como “Todos juntos”), sempre deliciosas, não se encaixam bem na história, dando quase a impressão de que atrapalham a luta de Dedé, Didi e seus amigos. E ainda faltam muitas canções no espetáculo.

Nada tão grave: a competência de Möeller, Botelho, Chico Buarque, Rogério Falcão (cenários), Luciana Buarque (figurinos) e muitos outros, somada ao encanto e à magia de Didi e Dedé, garantem um espetáculo de altíssimo nível.

 

Fonte: O Globo - 11/10/14.

 

 

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