Recuperado de um infarto, Renato Aragão volta ao trabalho

Trapalhão está em reprise do Viva, se prepara para gravar telefilme para a Globo e estreia no teatro em outubro.

O Globo: 13/07/14:

Sério e compenetrado, sentado no sofá de sua casa, Renato Aragão deixa claro que ele e Didi são pessoas completamente diferentes. E que criador e criatura só se encontram na hora do trabalho.

— O Renato é uma pessoa responsável, cidadão que gosta das coisas bem feitas. Didi é docemente irresponsável. Um cara simples, sem comprometimentos. O que ele quer é viver o dia feliz, apenas isso — compara o humorista, de 79 anos. — Às vezes, quando tem criança aqui em casa, Didi até vem. Mas eu procuro evitar muito.

Mesmo que no dia a dia ele mantenha um certo distanciamento do célebre personagem, que completou 50 anos em 2010, é como Didi que Renato volta a aparecer na TV em breve. Extinto da Globo no ano passado, o humorístico “A turma do Didi" volta ao ar a partir de amanhã, às 11h30, em reprises no canal Viva. E no próximo dia 21, o artista começa a gravar o especial “Didi e o segredo dos anjos”, telefilme de uma hora e meia com previsão de estreia na semana do Dia da Criança, na Globo. No elenco, Dedé, Lima Duarte, Mel Maia e Tatá Werneck, entre outros.

O projeto, que consumirá cinco semanas de gravações no Rio e cidades do interior, faz parte do acordo de Renato com a emissora, de dois telefilmes por ano.

— É um filme com aventura e emoção. Corre, corre, ninguém para (risos). É muita confusão, não dá tempo nem de comer pipoca — avisa Renato, contando que vai gravar dentro das suas “possibilidades”.

Possibilidades, no caso, se referem às condições de saúde do humorista. No início do ano, ele passou por um susto: em 15 de março, sofreu um infarto agudo do miocárdio e foi internado no Hospital Barra D’Or, onde se submeteu a uma angioplastia. Ele teve alta quatro dias depois, mas em abril voltou novamente ao hospital. Desta vez, para tratar uma infecção urinária com antibiótico venoso. Recuperado, Renato faz questão de enfatizar que está “100 por cento”, “zero quilômetro”. Mesmo assim, realizou exames de rotina no fim do mês passado, para pegar no batente sem preocupações. Até o dublê será dispensado na medida do possível.

— O que eu tenho já passou. Agora é para frente. Meu nome agora é Didi Highlander (risos) — brinca. — Estou melhor do que eu estava. O médico já me liberou para tudo. Ele disse que tenho mais 70 anos. Eu falei: ‘Só preciso de 40, dá metade para quem precisa’. Do coração, eu não morro — diverte-se ele, adepto de uma dieta balanceada, sem carne vermelha, fritura, gordura e doce.

Nesses tais 40 anos que ainda lhe restam, Renato tem muito a realizar. Em outubro, ele faz sua estreia teatral no musical “Os saltimbancos trapalhões". Produzido pela dupla Charles Möeller & Claudio Botelho, o espetáculo leva para os palcos uma adaptação do longa homônimo de 1981, estrelado pelo então quarteto Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

— Eu ganhei esse presente deles, e também uma grande responsabilidade. Afinal, essa dupla é no nível da Broadway. Comecei a ler e fiquei bobo. Eles vão fazer cinema no palco — empolga-se Renato, que, novamente irá contracenar com Dedé e, ainda, com Roberto Guilherme, o eterno Sargento Pincel.

O musical tem também a presença de Livian Aragão, a filha caçula do humorista, de 15 anos. Embora esteja investindo na carreira solo — “desmamando”, como diz Renato — Livian não teve como recusar a oportunidade. Para ele, mais uma grande chance de contracenar com a menina, alguém que ele adora ter sempre por perto. Livinha, como é chamada pela família, estreou ao lado do pai com apenas 9 meses, no longa “O trapalhão e a luz azul”, em 1999.

— Trabalhar com a filha é maravilhoso porque você está com a família junto. Quando ela e Lilian (mulher dele há mais de 20 anos) estão comigo, eu fico mais tranquilo — afirma ele, que ficou todo bobo com o trabalho da filha na novela “Flor do Caribe”, no ano passado. — Ela é muito inteligente, tem boas notas. Quando fez essa novela, não tinha nem tempo de dormir, mas é muito dedicada. Eu era o primeiro a sentar na frente da TV. E sempre procurei dar toques para ajudá-la na interpretação.

Além de pai coruja e ator de musical, na pauta do trapalhão, há ainda um retorno definitivo à programação da Globo. Para o ano, Renato planeja se envolver na produção de novos seriados, mas não microsséries, a exemplo de “Poeira em alto mar”, de 2008.

— Quero fazer seriados com muitos episódios. E, claro, não tem como não ser com o Didi. As pessoas cobram.

 

Fonte: O Globo.

 

 

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