Macksen Luiz: Crítica de Como Vencer na Vida sem Fazer Força

“Na versão brasileira, em cartaz no Oi Casa Grande, Claudio Botelho, uma vez mais, demonstra a sua verve na transposição das letras e na tradução dos diálogos (...) Charles Möeller coordena com afinado mecanismo de direção a bem azeitada parte técnica e o elenco...”

Leia a crítica de Macksen Luiz para “Como Vencer na Vida sem Fazer Força” abaixo:


Crítica / Como Vencer na Vida sem Fazer Força / Por Macksen Luiz:

Comédia musical de ambições contidas, Como Vencer na Vida Sem Fazer Força é típica produção da época de sua estreia. Na década de 60, quando ocupou teatro da Broadway, estava em gestação o que seria conhecido mais tarde como livros de autoajuda. O título já sugeria a ideia de manual de como subir na empresa, recorrendo a expedientes nada recomendáveis. O limpador de janelas vai subindo nos andares da corporação à medida em que subterfúgios o impelem para o alto. O rapaz com ar tímido e aparência frágil parece se utilizar dos ensinamentos de outra cartilha muito popular que ensinava Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas. Com ambientação levemente crítica aos mecanismos empresariais e com a ingenuidade que reveste a evolução esperta do alpinista social, o musical tem trilha e coreografia agradáveis e tipos que se distribuem pela trama divertida. Na versão brasileira, em cartaz no Oi Casa Grande, Claudio Botelho, uma vez mais, demonstra a sua verve na transposição das letras e na tradução dos diálogos. Da invenção da World Rebimboca Company aos truques verbais para acomodar as letras à sonoridade nacional, Botelho reafirma a intimidade que estabeleceu entre a musicalidade original das palavras e a fluência com que são ouvidas na nossa língua. A cenografia de Rogério Falcão, com a imponente entrada art-deco do edifício da empresa, os painéis móveis que compõem os diversos ambientes e o hall dos elevadores, com a bem desenhada iluminação de Paulo César Medeiros, criam, ao mesmo tempo, uma cena límpida, decorativa, ampla e funcional. A coreografia de Alonso Barros se inspira na criada por Bob Fosse, com os corpos quebrados, mãos em movimentos circulares e de sapateado nos conjuntos. Os figurinos de Marcelo Pies seguem também as referências da encenação americana, mas com a introdução de cromatismo em algumas roupas com bom efeito no conjunto. A regência de Zaida Valentim encorpa o som das bem humoradas canções. Charles Möller coordena com afinado mecanismo de direção a bem azeitada parte técnica e o elenco. Ainda que Luiz Fernando Guimarães e Gregorio Duvivier não sejam tecnicamente dotados como cantores, a participação de ambos como atores-comediantes suprem as dificuldades. Luiz Fernando recorre a cacos demais para contornar essas limitações, enquanto Duvivier agarra o personagem com extrema sagacidade, fazendo-o maliciosamente oportunista. Adriana Garambone, como a amante-burra, se utiliza de tonalidade vocal de irresistível efeito cômico. Andre Loddi e Patau se destacam entre os atores e Gottsha empresta com presença e voz ponderosa vida a uma das secretárias. Ada Chaseliov e Letícia Colin têm boas intervenções. Os demais apóiam com eficiência o humor, as canções e as coreografias deste simpático musical. 



Fonte: Blog Macksen Luiz.





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