Folha de São Paulo: Obra de Milton Nascimento é reverenciada em musical anti-superprodução

O diretor Charles Möeller empresta o fragmento de uma letra de Chico Buarque para definir "Milton Nascimento - Nada Será como Antes - O Musical", espetáculo cuja estreia paulista aconteceu na semana passada. "Buscamos o tempo da delicadeza", diz ele, se referindo ao aspecto singelo da obra.


GABRIELA MELLÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

27/03/13.

O diretor Charles Möeller empresta o fragmento de uma letra de Chico Buarque para definir "Milton Nascimento - Nada Será como Antes - O Musical", espetáculo cuja estreia paulista aconteceu na semana passada. "Buscamos o tempo da delicadeza", diz ele, se referindo ao aspecto singelo da obra.

Homenagem aos 50 anos de carreira e 70 de vida de Milton Nascimento, o musical em nada se parece com as superproduções costumeiras de Charles Möeller e Cláudio Botelho, dupla responsável pelo renascimento do gênero no país.

"Nada Será como Antes... " é um espetáculo intimista protagonizado por Cláudio Lins, filho de Ivan Lins, Pedro Sol, Estrela Blanco entre outros 11 artistas que cantam e tocam instrumentos. A ação se passa dentro de uma casa mineira, reduto criativo de um grupo de jovens artistas. "Eles formam uma espécie de um clube da esquina que ficou esquecido no interior", resume Möeller.

O musical dispensa efeitos especiais, figurinos e coreografias estonteantes, além de uma dramaturgia convencional para centrar-se na obra de Milton Nascimento.

Como em "Beatles num Céu de Diamantes", outra produção da dupla, também se isenta da responsabilidade de repassar a biografia do cantor para se debruçar apenas sobre 48 canções do repertório do artista mineiro, que aborda temas como amor, natureza, senso de irmandade e consciência política.

Sem qualquer diálogo, as letras das músicas se transformam na dramaturgia do musical, que foi dividido em quatro blocos, cada um simbolizando uma estação do ano.

Músicas como "A Cigarra" e "Um Girassol da Cor de seu Cabelo" evocam a primavera, iluminando a faceta criativa de Milton Nascimento. Composições solares como "Bola de Meia, Bola de Gude" compõem o verão. "Caçador de Mim" e "Encontros e Despedidas" dão um clima outonal à cena, representando a época em que a carreira de Milton começa a ser influenciada pela ditadura política. O inverno é retratado por canções que marcam a fase mais negra dos militares. "É como se cada música fosse uma peça, com começo meio em fim e sem ligação explícita com a seguinte. São várias histórias dentro de uma mesma história", explica Charles.

Questionado se preferiria envolver-se na criação do musical ao lado de Möeller e Botelho ou recebê-lo como um presente, surpreendendo-se com a obra depois de pronta, Milton optou pela segunda opção. Viu sua homenagem prestes a sair do forno, poucos dias antes da estreia. No final da apresentação, emocionado, fez apenas uma correção. "O último acorde de 'Morro Velho' está errado", disse.


MILTON NASCIMENTO - NADA SERÁ COMO ANTES - O MUSICAL
ONDE Teatro GEO (r. Coropés, 88, tel. 0/xx/11/4003-9949)
QUANDO sextas, às 21h30, sábados, às 18h e 21h, e domingos, às 18h; até 26/5
QUANTO de R$ 50 a R$ 150
CLASSIFICAÇÃO 12 anos

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