O Estado de São Paulo: As Estações de Milton - Os 50 anos da carreira do músico mineiro inspiram espetáculo intimista

Leia a matéria de Ubiratan Brasil publicada na edição de hoje, 22/03, pelo jornal O Estado de São Paulo, sobre "Milton Nascimenhto - Nada Será Como Antes - O Musical!, em cartaz no Teatro GEO:


AS ESTAÇÕES DE MILTON

Os 50 anos da carreira do músico mineiro inspiram espetáculo intimista

22 de março de 2013
UBIRATAN BRASIL - O Estado de S.Paulo

Milton Nascimento circulava como um fã nos bastidores do Teatro GEO, na noite de quarta-feira. Emocionado, ele foi cumprimentar os atores do musical Milton Nascimento - Nada Será Como Antes, espetáculo que estreia hoje para o público. "Eu já tinha visto 10 ou 12 vezes no Rio, onde aconteceu a primeira temporada, mas agora senti um despojamento e uma confiança muito maiores do elenco", disse Milton, que veio a São Paulo especialmente para a apresentação para convidados - ontem ele já rumava para Juiz de Fora.

Milton conversou com o Estado ontem pela manhã, enquanto rumava para o aeroporto. A felicidade da noite anterior permanecia intacta. "O que me impressiona nesse espetáculo é o retrato apresentado da minha carreira como compositor, instrumentista, colaborador de outros músicos", disse. "Todos esses aspectos são mostrados em cena e por atores, não são apenas cantores."

Milton Nascimento - Nada Será Como Antes é uma singela homenagem prestada ao artista mineiro por Claudio Botelho e Charles Möeller, responsáveis pelos principais musicais do País. "Sempre fui apaixonado pela obra do Milton e, quando descobrimos que ele gostou do nosso trabalho com os Beatles (o músico mineiro assistiu a oito vezes o espetáculo 'Beatles - Num Céu de Diamantes'), surgiu uma oportunidade", conta Botelho.

Com a oportunidade em mãos, a dupla se encontrou com Milton para acertar detalhes - o ponto de partida era a comemoração dos 50 anos de carreira do músico. "Eles vieram ao meu apartamento e me perguntaram se eu queria uma homenagem tradicional ou se preferia ser surpreendido - optei pela segunda opção", lembra Milton.

"Talvez o caminho mais fácil fosse fazer uma biografia. Preferimos uma travessia: mostrar a obra, que é o que importa, e não o autor", conta Botelho, que define o espetáculo como uma revista musical sem texto, no qual cada canção ou pot-pourri ressurgem em cenas, diálogos e situações dramáticas.

Em cena, o grupo de atores e músicos apresenta temas fundamentais da música do homenageado, como amor, amizade, criação artística, negritude, brasilidade e solidão. Todos os atores tocam e se revezam em vários instrumentos e os músicos também cantam. "Não há uma divisão específica entre orquestra e atores: todos são uma única voz a serviço de brilhante obra musical de Milton Nascimento", completa Botelho.

Para que o espetáculo não se assemelhasse a um show, o diretor Charles Möeller criou um conceito. "No início, pensamos em reproduzir apenas o Clube da Esquina, para ter um recorte mais focado, mas seria injusto deixar dezenas de clássicos de fora", explica ele, que dividiu as canções segundo as estações do ano, remetendo a um solar imaginário interiorano.

Assim, Bola de Meia, Bola de Gude, Aqui É o País do Futebol compõem o verão, enquanto A Cigarra, Um Girassol da Cor do Seu Cabelo e Nuvem Cigana compõem a primavera. Para o outono, foram selecionadas canções que atravessaram gerações como Cais, Caçador de Mim, Encontros e Despedidas e Faca Amolada e, finalmente, o inverno é composto por Nada Será Como Antes e O Que Foi Feito Deverá.

"Cada canção tem uma ideia, uma cena fechada, que tem uma ligação nem sempre explícita com a seguinte. São histórias dentro de uma mesma história", conta Möeller. Foram seis semanas de preparação e, na véspera da estreia, em agosto do ano passado, Milton foi convidado para acompanhar um ensaio. "Chorei do começo ao fim", relembra. "Apesar de ser baseado na minha vida, o espetáculo não tem a pretensão de mostrar algo que não seja a minha obra."

Milton fez apenas um reparo, dois acordes que gostaria de ver alterados em uma das canções. "No dia seguinte, ele voltou ao teatro e ficou pacientemente ao lado dos músicos, mostrando como deveria ser feito", relembra Botelho. "Foi um ato não apenas profissional, mas de extremo carinho."

Com esse musical, Möeller e Botelho iniciaram oficialmente como diretores artísticos da GEO, empresa da Globo Comunicação Participações. A parceria já rendeu um outro espetáculo, Como Vencer na Vida Sem Fazer Força, em cartaz no Rio e com estreia prevista para outubro em São Paulo. "E vamos continuar com Kiss Me Kate, o primeiro musical de Cole Porter montado no Brasil e que terá José Mayer", anuncia Botelho.

Fonte: O Estado de São Paulo: 22/03/13.



Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Buscar