Broadway World Review: HOW TO SUCCEED Opens in Rio!

"COMO VENCER NA VIDA SEM FAZER FORÇA é programa obrigatório para a plateia que tem (como disse Arthur Laurents) o teatro musical "in the bones". Preparem seus corações para a felicidade, para o prazer, para o encanto que a tradicional comedia musical americana pode de verdade proporcionar. E, acreditem, o riso muitas vezes alem de entreter, também emociona. E como!".


Leia a crítica do Site especializado Broadway World.com na íntegra abaixo:

Por Paulo Afonso de Lima

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HOW TO SUCCEED IN BUSINESS WITHOUT REALLY TRYING (Como Vencer na Vida sem fazer Força) opened in Rio de Janeiro with a revised Brazilian production, directed by top musical theatre directors Claudio Botelho and Charles Moeller. Mr. Botelho and Mr. Moeller will soon reach the London West End and Broadway with BLACK ORPHEUS, produced by American producer Stephen C. Byrd. HOW TO SUCCEED IN BUSINESS WITHOUT REALLY TRYING is the 32nd show in their winning careers. Mr. Botelho is also the Brazilian translator of shows like LES MISERABLES, PHANTOM OF THE OPERA, MISS SAIGON, MY FAIR LADY, THE KING AND I and ADDAMS FAMILY, to name a few.

O hoje já lendário diretor Arthur Laurents, autor de Gypsy e West Side Story, criou uma expressão curiosa mas perfeitamente adequada para definir o que é absolutamente necessário para se exercer com competencia e sucesso o ofício de se criar Teatro Musical: é preciso ter o musical "in the bones" (literalmente "nos ossos"). Ele mesmo tentou explicar: "O que exatamente "in the bones" significa? Bem, não podeMos Definir com precisão. Na verdade é uma mistura de intuição ritmica e sonora, uma mão invisível mas extremamente inspirada e competente que atravessa o trabalho como um todo, mas que também está presente em cada segundo de uma cena, seja ela um numero musical (cantado ou dançado) ou não. Não é uma habilidade, não se consegue obte-la com experiencia e, acredito, nem mesmo pode ser aprendida ou muito menos ensinada. Na verdade "in the bones" é um instinto. Um instinto que sai do palco e chega à platéia, se entranha nas paredes da sala de espetáculo e pode chegar até lá fora, na calçada, quando antes de ingressarmos no teatro, olhamos com encantamento as marquises iluminadas de determinados musicais. E instinto é instinto. Nasce conosco."

Talvez essa seja a definição mais acertada para explicar a Excelencia dos espetáculos apresentados pela dupla Moeller e Botelho em nossos palcos. É evidente que a qualidade do Teatro Musical que se faz no Brasil hoje é, felizmente, um fato. Ótimos desempenhos de consagrados atores e atrizes, jovens interpretes com qualidades indiscutíveis, coreografos inspirados, diretores que dão o melhor de si, de suas experiencias e vivencias, para realizar um bom trabalho. O público gosta na maioria das vezes. E comparece. Mas sou forçado a admitir, sem faltar ao respeito com aqueles que lutam com coragem e talento para empreender o musical no Brasil ,que os espetáculos assinados por Moeller e Botelho tem sempre esse diferencial. Um diferencial que começa pela tradução (ou dramaturgia no caso, por exemplo, de "7- O Musical"), prossegue na concepção geral do trabalho, na escolha de sua equipe de criação, seus atores, cantores, bailarinos, avança envolvendo à platéia e (por que não?) termina (ou se inicia) na calçada, quando chegamos ao teatro.

Charles Moeller ( que no ano passado, em minha opinião, foi responsável pelo melhor trabalho de direção apresentado no Rio de Janeiro, incluindo teatro musical ou não, "Milton Nascimento-Nada será como Antes") tem o instinto nato, absoluto, de fazer com que até um simples aperto de mão em cena seja teatro musical e dos melhores. Um exemplo: é memorável o tratamento cinematográfico que Moeller confere à "Um Casal" ( "Happy to keep his Dinner Warm"), fazendo com que a protagonista Rosemary seja transportada num piscar de olhos do emprego para o "lar doce lar" dos seus sonhos (no caso a pacata cidade de New Rochelle da letra original). A habilidade com que ele também lida com pontuações sonoras e rítmicas no todo do espetáculo, se valendo delas inclusive para valorizar o desenvolvimento e características dos personagens, é uma delícia à parte. Afinal, foi exatamente no início dos anos 60 (quando "HOW TO SUCCEED IN BUSINESS" estreou) que os diretores e coreógrafos da Broadway começaram a exigir a presença de um pianista nos ensaios de texto, justamente para que uma nova linguagem de encenação fosse explorada e cristalizada. George Abbott, considerado o decano de uma nova dinâmica para se colocar num palco uma peça musical, para não perder tempo, preferia dirigir com uma pianola em suas mãos permitindo que os orquestradores sentados a seu lado, prontamente colocassem na pauta o que dali para frente seria parte essencial do espetáculo. Charles materializa assim, no seu trabalho, um rodamoinho de brilhantes fogos de artifício teatrais, pontuando a sátira, exaltando com brilhantismo o "over", colocando no palco o "stacatto" necessário para fazer de COMO VENCER NA VIDA SEM FAZER FORÇA uma grande e memorável festa. Cumpre aqui mencionar a valiosa colaboração do elegante e detalhado cenário de Rogerio Falcão, da excelente direção musical de Paulo Nogueira, dos INESQUECÍVEIS figurinos de Marcelo Pies, do visagismo inspirado e precioso de Beto Carramanhos, da competente iluminação de Paulo Cesar Medeiros e do trabalho mais uma vez assombroso desse verdadeiro Mestre da Coreografia de Teatro Musical que é Alonso Barros. Zaida Valentim (regencia), Marcelo Claret (design de som) e tantos outros profissionais, dentro e fora do palco, envolvidos no projeto, também são dignos de muitos aplausos.

 Claudio Botelho mergulha no texto de Abe Burrows, Jack Weinstock e Willie Gilbert com uma saudável falta de pudor, tornando a matéria prima com que o diretor e os atores trabalharam, numa comédia irresistível, irônica, inteligente e inspirada. Suas "rebinbocas" e sua "pafafusetas" são absolutamente geniais como são todas as soluções encontradas por sua tradução para trazer 1961 até aos nossos dias, sem trair em momento algum o espírito da obra original. E, literalmente, QUE SUSTO agradável são as suas versões! Que intricado e inteligente jogo de palavras Claudio conseguiu transmitir mais uma vez à sua platéia, com métrica acertada, humor na medida certa e rimas impensáveis e impecáveis que só demonstram a diferença que existe quando alguem de talento inquestionável assume uma tarefa tão difícil e responsável quanto essa. "In the bones", sem dúvida.

No elenco, Letícia Colin é uma Rosemary adorável, Andre Loddi um Bud Frump hilariante e magnético e Gottsha confirma, como Smitty, o seu lugar como uma das melhores atrizes-cantores do musical que se faz hoje no Brasil. Ada Chaseliov, Leo Wainer, Patau (excelente!), Cássio Pandolfi e Luiz Nicolau tem, cada um, o seu momento de demonstrar competencia, experiencia e talento.

Adriana Garambone é uma das donas da noite, com uma atuação em que demonstra observação e senso crítico absolutamente admiráveis. Se estivéssemos na Broadway, Adriana hoje já estaria consagrada pela imprensa por ter criado uma Heddy La Rue definitiva, absoluta e inigualável. É fantástica a facilidade com que seu desempenho se aproxima do imaginário de um humor essencialmente brasileiro sem se afastar, em momento algum, da composição (eu diria sofisticadíssima) de uma "stupid hooker" da antiga rua 42, nascida no leste do Bronx e que, por um genial golpe de sorte, acaba como secretária executiva na Madison Avenue. Um trabalho magistral.

Luiz Fernando Guimarães: ponto. Deus! Como eu estou me lamentando agora por não ter acompanhado mais de perto a trajetória no teatro desse ator simplesmente excepcional! Para Luiz Fernando, o palco é a sua sala. A platéia, seus convidados. E com que espontaneidade e talento ele nos recebe! Assistir um ator de seu quilate e presença é um privilégio que não vou mais me privar. Seu J.B. Biggley é um show de teatralidade, competência (também no canto e na dança) e autoridade. E quando menciono "autoridade" me refiro àquela que só os primeiros e grandes atores atores possuem. Bravo!

Por outro lado,testemunhar o surgimento de Gregorio Duvivier no teatro musical, interpretando um dos mais importantes protagonistas da dramaturgia norte americana do seculo vinte ( é bom lembrar que o texto teatral de HOW TO SUCEED ganhou um Premio Pulitzer), deixou de ser uma preocupante expectativa para se tornar, de cara, um grande prazer. Com que talento, simpatia e humor ele dá vida a seu Finch, conquistando o publico logo na primeira cena, cantando muitíssimo bem as canções de Frank Loesser e executando com precisão e vitalidade a intricada (por isso talvez tão maravilhosa) partitura coreográfica de Alonso Barros. Gregorio é o próprio "Macunaíma da Broadway", um "arlequim dos musicais" (como define Charles Moeller o personagem) e " um anti-herói das minorias dando rasteiras nos que estão por cima" (citando novamente Moeller). No palco ele permite que se materialize, ante nossos olhos, um oportunista adorável, um grande Ser Teatral, um duende endiabrado que traz no corpo, nos gestos e na alma a chama viva da Comédia. Gregorio Duvivier é TEATRO dos pés à cabeça e que os Deuses o iluminem na carreira admirável que tem pela frente.

Completam o elenco os tambem maravilhosos Carol Ebeken, Cristiana Pompeo, Joane Mota, Kotoe Karasawa, Renata Ricci, Nadia Nardini (bem vinda novamente aos palcos do teatro musical brasileiro!), Fabio Porto, Guilherme Logullo, Helcio Mattos, Leandro Luna, Leo Wagner e Patrick Amstalden.

Importante: obrigatório para for assistir COMO VENCER (ou quiser conhecer TUDO sobre sua gênesis e história), é a leitura do excelente artigo do publicitário, produtor e pesquisador de teatro musical Claudio Erlichman, que está disponível no site MOELLER & BOTELHO ou no programa do espetáculo, encontrado no Teatro Oi Casa Grande.

COMO VENCER NA VIDA SEM FAZER FORÇA é programa obrigatório para a platéia que tem (como disse Arthur Laurents) o teatro musical "in the bones". Preparem seus corações para a felicidade, para o prazer, para o encanto que a tradicional comedia musical americana pode de verdade proporcionar. E, acreditem, o riso muitas vezes alem de entreter, também emociona. E como!


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