Folha de São Paulo: Comédia musical aproxima gerações do humor nacional no Rio

"O bom comediante já nasce com o timing da comédia", diz Luiz Fernando Guimarães, 63. Por isso, toda a bagagem que ele tem a mais do que Gregorio Duvivier, 26, não é notável quando eles contracenam em "Como Vencer na Vida sem Fazer Força", que estreou na sexta-feira (8), no Rio.

Comédia musical aproxima gerações do humor nacional no Rio

 

MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DO RIO

Folha de São Paulo: 09/03/13.

"O bom comediante já nasce com o timing da comédia", diz Luiz Fernando Guimarães, 63. Por isso, toda a bagagem que ele tem a mais do que Gregorio Duvivier, 26, não é notável quando eles contracenam em "Como Vencer na Vida sem Fazer Força", que estreou na sexta-feira (8), no Rio.

"Em cena, temos a mesma sintonia. Eu me identifico com o Gregorio, ele tem uma sonsice que eu também tenho, que é de comediante."

Duvivier, por sua vez, cita o colega como "um mestre de toda essa minha geração que faz humor", da qual ele é destacado representante, graças ao trabalho em coletivos como o Porta dos Fundos, que produz vídeos para internet.

  Daniel Marenco/Folhapress  
Gregorio Duvivier (de colete vermelho) à frente de grupo de atores no ensaio do musical
Gregorio Duvivier (de colete vermelho) à frente de grupo de atores no ensaio do musical

 

"Esse tipo de atuação que caracteriza nossa geração, algo mais sutil, desprovido de caricaturismo, eu aprendi muito com o Luiz Fernando."

Os dois improvisadores natos, que talharam seu humor no palco e conquistaram sucesso também nas telas, estreiam juntos na área mais metódica e organizada do teatro: os musicais, sob o comando da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho.

Nesta segunda montagem nacional de "Como Vencer na Vida sem Fazer Força", Duvivier encarna J. Pierrepont Finch, limpador de janelas que segue o manual que dá título à peça para subir na empresa presidida pelo grosseirão J.B. Biggley (Guimarães).

O musical é baseado no livro homônimo, de Shepherd Mead, com canções compostas por Frank Loesser ("Uma espécie de Cole Porter moderno, ácido", segundo Botelho).

"O Luiz foi o primeiro a ser convidado, esse projeto começou quando ele topou", diz Botelho. "É um grande nome. A peça não se vende sozinha, precisa de estrelas, você vê as montagens com Matthew Broderick [em 1995], e Daniel Radcliffe [em 2011]."

Para Guimarães, a vontade de fazer musical surgiu quando assistiu a "Um Violinista no Telhado", da dupla. "Antes, olhava musicais, mas não me via neles, e naquele eu me vi. Cantar e dançar era algo que tinha de trabalhar."

Já Duvivier era conhecido dos diretores, que trabalham há anos com seu pai, Edgar, responsável pelos "making of" das produções. Quando o viram no monólogo "Uma Noite na Lua" (2012), no qual cantava, encontraram seu Finch. "Da época em que a gente o convidou até hoje, a carreira dele disparou. Bom para ele e para a peça."

O musical, que tem 25 atores e dez músicos, fica no Rio por quatro meses e segue para São Paulo em agosto.

Apesar de retratar o mundo corporativo dos anos 1960 --a época em que foi adaptado para a Broadway pela primeira vez (1962)--, o musical apela a plateias contemporâneas, segundo Botelho.

"Puxar o saco, derrubar o colega para chegar em algum lugar, isso continua existindo em todo lugar, então as pessoas se identificam", diz.

 

COMO VENCER NA VIDA SEM FAZER FORÇA
ONDE teatro Oi Casa Grande (av. Afrânio de Mello Franco, 290, Rio, tel.: 0/xx/21/2511- 0800)
QUANDO qui. e sex., 21h; sáb., 17h e 21h; dom., 19h
QUANTO R$ 30 a R$ 190
CLASSIFICAÇÃO 12 anos

 

 

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