Milton para exportação - Os 50 anos de carreira do cantor e compositor foi o tema escolhido para o Brasil entrar no seleto grupo que produz e exporta musicais

O aconchego da casa mineira, os tons das estações do ano e a memória das estradas de ferro ou de pedra servem de cenário para o musical “Milton Nascimento – Nada Será como Antes”, que estreia na quinta-feira 9 no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro, e no ano que vem parte para teatros na França, Inglaterra, Itália e nos EUA. Catorze atores e músicos vão soltar a voz e o som de seus instrumentos para reconstruir o universo do cantor e compositor nascido no Rio, mas mineiro de coração por ter sido criado na cidade de Três Pontas. Não há diálogos: eles cantarão 50 músicas em esquetes baseadas nas letras de clássicos que falam de amor, amizade e solidão. “Demos sentido teatral às músicas, criamos blocos de acordo com os temas e com o ritmo e 90% dos sucessos estão no espetáculo”, diz Cláudio Botelho, diretor do musical ao lado de Charles Möeller. “Foi uma das maiores alegrias neste ano de tantas datas importantes. A emoção vai ser da pesada”, disse Milton Nascimento, que chega a seus 50 anos de carreira, à ISTOÉ.

Ao ser indagado sobre a comemoração de seus supostos 70 anos de vida, ele corta o assunto com faca amolada: “Não tenho 70 anos. E em nenhum momento me sinto com 70 anos. Artistas não têm idade. Para ser sincero, nunca pensei nisso e procuro passar o tempo aproveitando o que há de melhor em tudo, principalmente em duas coisas: amizade e música.”

Os artistas formarão um conjunto, como o Clube da Esquina, que criou um jeito diferente de fazer música popular em Belo Horizonte, 45 anos atrás. O ator e cantor Wladimir Pinheiro, por exemplo, vai entoar “Canto Latino” e já prevê a sua ansiedade e emoção: “Milton está presente na vida de todos nós, traz lembranças afetivas da infância.” O panorama político das composições inspirou Claudio Lins a interpretar “Travessia” e “Bicho Homem”. “As referências são subjetivas, mas o Milton foi muito ativo e questionava a ditadura”, diz ele. Com extensa experiência em musicais, os atores-cantores do espetáculo interpretam, entre outros grandes sucessos do compositor, “Maria Maria”, “Faca Amolada” e “Bola de Meia, Bola de Gude”. Os músicos Délia Fischer, Lui Coimbra, Whatson Cardozo e Pedro Aune comandam piano, acordeon, violoncelo, charango, violão, sopros, contrabaixo e tuba. Pela primeira vez no teatro, a obra de Milton Nascimento lembra que qualquer maneira que se cante o canto vale a pena. Diz Milton à ISTOÉ: “Ter minhas músicas num espetáculo dessa envergadura é muito mais que um sonho para mim.”

Por: Tamara Menezes

Fonte: Istoé – 03/08/12

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